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Sexta-feira, 17 de Julho de 2026

Economia

“Super” El Niño pode provocar perdas nas lavouras de SC e reduzir produção de trigo, alho e cebola

Fenômeno tem 81% de chance de atingir categoria "super" e deve intensificar chuvas e desafios para os produtores catarinenses

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“Super” El Niño pode provocar perdas nas lavouras de SC e reduzir produção de trigo, alho e cebola
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A influência do “super” El Niño na segunda metade de 2026 deve afetar principalmente as produções de trigo, cebola e alho na safra de inverno em Santa Catarina, segundo um levantamento da Epagri divulgado em junho. Na última terça-feira (14), o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) confirmou os primeiros efeitos do fenômeno na região Sul, onde favorece o aumento das chuvas.

A produção de alho deve recuar 17% e a de cebola, 9%, pois as duas culturas podem sofrer com encharcamento do solo, doenças bacterianas e dificuldades nas operações de campo. Entre os grãos de inverno, o trigo pode cair produção em 29%, devido à maior incidência de doenças e dificuldades no manejo durante fases importantes do desenvolvimento.

Veja as previsões da Epagri para a safra em SC

  • Alho: A área plantada deve cair 13%, para 647 hectares, e a produção recuar 17%, para 7,3 mil toneladas. A região de Curitibanos segue como principal polo produtor, com destaque para Fraiburgo e Frei Rogério, que concentram 52% da área cultivada.
  • Cebola: A área cultivada deve diminuir 9%, para 17,4 mil hectares, e a produção cair 9%, para 576,4 mil toneladas, após preços abaixo do custo de produção no início de 2026. A região de Ituporanga segue como principal polo produtor, concentrando 46% da área cultivada no Estado.
  • Trigo: A estimativa é de redução de cerca de 27% na área plantada e de 29% na produção, que deve ficar em 271 mil toneladas. A produtividade média também deve recuar 2,8%.
  • Aveia-grão: A produção deve crescer 12,8%, para cerca de 60 mil toneladas, acompanhando o aumento de 12,3% na área cultivada, impulsionado principalmente por novas áreas na Serra.
  • Cevada: A cultura deve registrar aumento de 13,6% na área plantada, para 500 hectares, e alta de 3,8% na produção, estimada em cerca de 2 mil toneladas, mantendo participação ainda pequena no Estado.

    Imagem Satélite formação El Nino
    Imagem divulgada pela Agência Espacial Europeia e que mostra o aquecimento das águas no Pacífico (Arte de Ben Ami Scopinho sobre foto de ESA, Reprodução)

    Quais são os efeitos do El Niño em SC

    Caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico, o El Niño tem 81% de chances de atingir a categoria “super” ainda em 2026 e pode ser o El Niño mais intenso desde 1950, quando começaram as medições do fenômeno, segundo atualização da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) de 9 de julho.

    Segundo a Epagri, em Santa Catarina, a previsão climática para a safra indica temperaturas amenas, elevada umidade e chuvas frequentes nos próximos meses, cenário associado à atuação do El Niño.

    — Em anos do El Niño, episódios de frio tardio são muito raros. Excessos de chuva estão previstos para a primavera, em especial em outubro e novembro, o que traz um problema maior, porque pode resultar em encharcamento do solo, dificultar o manejo agrícola, entrada de máquinas e afetar estradas, transporte de mercadorias e até o fornecimento de energia — prevê a meteorologista Marilene de Lima, da Epagri/Ciram.

    Quais os efeitos esperados no restante do Brasil

    No Brasil, segundo um boletim publicado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) em 29 de junho alerta que a tendência é de chuvas acima da média na Região Sul e precipitações abaixo da média em parte do Norte e do Nordeste.

    Segundo o instituto, a pecuária deve ser uma das atividades mais afetadas no Centro-Oeste e no Norte pela redução da disponibilidade de água para as pastagens. Já no Sul, o excesso de chuva pode favorecer culturas de inverno, mas também aumenta o risco de doenças e perdas em lavouras.

    Impactos previstos por região, segundo o Inmet

    • Sul: chuvas acima da média tendem a favorecer as culturas de inverno, mas o excesso de umidade pode elevar a incidência de doenças fúngicas. Em contrapartida, a maior nebulosidade e as temperaturas mais elevadas reduzem o risco de geadas tardias.
    • Sudeste: chuvas próximas da média devem beneficiar as culturas de inverno. Para o café, o cenário é favorável à colheita e à florada, desde que as chuvas retornem após o período seco. As temperaturas mais altas, porém, aumentam o risco de doenças nas lavouras.
    • Norte: chuvas abaixo da média e calor acima do normal aumentam o risco de seca, com possíveis prejuízos às pastagens, culturas perenes e à agricultura familiar.
    • Nordeste: menor volume de chuvas pode favorecer a colheita do feijão de terceira safra em áreas mais adiantadas, mas comprometer lavouras em desenvolvimento e reduzir a disponibilidade de água para a pecuária.
    • Centro-Oeste: condições favorecem a colheita do milho de segunda safra, algodão e cana-de-açúcar. No entanto, o calor pode intensificar a deficiência hídrica no fim da estação seca, afetando pastagens e a preparação da próxima safra.

    Como os agricultores de SC podem se preparar?

    O presidente da Epagri, Dirceu Leite, afirma que a instituição está mobilizada para apoiar os agricultores catarinenses diante dos desafios que podem afetar as safras, com equipes de pesquisa e extensão acompanhando as condições de clima e solo, emitindo orientações, alertas e reforçando práticas de conservação, como o plantio direto e o terraceamento.

    — Orientamos aos produtores a acompanharem os avisos e boletins da Epagri e a procurarem o escritório mais próximo do município. Com informação, planejamento e trabalho conjunto, vamos enfrentar mais este desafio climático e buscar uma boa safra para Santa Catarina — recomenda Leite.
FONTE/CRÉDITOS: NSC Total
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