O Memorial Virtual do Galpão Caipora Viu será oficialmente lançado no dia 1º de março, às 19h, em um evento gratuito e aberto à comunidade no Clube Anos Dourados, no bairro Nossa Senhora de Lourdes, em Campos Novos. A iniciativa marca um importante passo na preservação da história e da cultura local, tornando acessível ao público um rico acervo reunido ao longo de décadas pelo colecionador Benito Zandoná.
O projeto foi viabilizado por meio do Programa de Incentivo à Cultura (PIC) – Mecenato Estadual de Santa Catarina, com investimento de R$ 149.750,00, e tem como principal objetivo a digitalização de objetos históricos ligados ao tropeirismo e ao cotidiano das famílias que passaram pela região. A proposta surgiu da necessidade de proteger essas memórias diante de riscos naturais, como enchentes e tornados, que poderiam comprometer o acervo físico armazenado no galpão.
Segundo Benito Zandoná, a história do espaço começou de forma simples e familiar, inspirada pelo avô, Júlio Granzotto, que tinha o hábito de guardar objetos antigos encontrados ou recebidos de conhecidos. “Eu cresci vendo isso e fui pegando gosto. Quando meu avô faleceu, as peças começaram a se perder e ele pediu para que eu levasse tudo comigo. Guardei por anos, até decidir construir o galpão, em 2007, sem imaginar que aquilo se tornaria um espaço visitado por escolas, turistas e pessoas até de outros países”, relembra.
Com o passar do tempo, o Galpão Caipora Viu se transformou em um verdadeiro ponto de memória viva, reunindo objetos do cotidiano rural, utensílios antigos e peças deixadas por tropeiros que cruzavam a região. Muitas das visitas, segundo Benito, são marcadas pela emoção. “As pessoas mais antigas entram aqui e se emocionam, lembram da infância, da vida na roça. Para mim, isso é tudo”, afirma.
A digitalização do acervo foi conduzida pelo Instituto Humaniza, sob coordenação da diretora-presidente Magna Regina Tessaro. Ela explica que a ideia nasceu após a identificação da importância histórica do espaço e da necessidade de garantir sua preservação para as futuras gerações. “Quando vimos a riqueza cultural existente aqui, entendemos que era fundamental eternizar esse material. Um incêndio ou qualquer desastre poderia apagar essa história para sempre”, destaca.
Ao longo de cerca de um ano de trabalho, mais de 1.200 peças foram fotografadas, catalogadas e organizadas em um site, permitindo acesso público ao conteúdo de qualquer lugar do mundo. O portal já está disponível online e reúne categorias, registros históricos e informações sobre os objetos, ampliando o alcance cultural do acervo.
Magna ressalta ainda que projetos culturais como este geram impactos que vão além da preservação histórica. “Cada recurso investido em cultura retorna para a sociedade em forma de emprego, renda e valorização da identidade local. É um trabalho que fortalece toda a comunidade”, afirma.
O lançamento oficial do memorial também integrará a abertura das comemorações do aniversário de Campos Novos. Durante o evento, o público poderá conhecer o projeto em apresentação oficial e acompanhar um show musical Musical com Carlos Magrão a partir das 19h, celebrando a história e a cultura regional.
A comunidade está convidada a participar do momento, que simboliza a transformação de uma coleção construída por amor à memória em um patrimônio digital acessível às próximas gerações.
Confira o portal: https://galpaocaiporaviu.com.br/

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