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Quinta-feira, 12 de Fevereiro de 2026

Saúde

Em coletiva, Conselho do Hospital Dr. José Athanázio apresentou resultados e defende gestão comunitária com transparência

Representantes das entidades detalharam avanços estruturais, financeiros e assistenciais alcançados nos últimos anos.

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Em coletiva, Conselho do Hospital Dr. José Athanázio apresentou resultados e defende gestão comunitária com transparência
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Na manhã desta quinta-feira (12), a direção e o Conselho Diretor do Hospital Dr. José Athanázio convocaram a imprensa de Campos Novos para esclarecer pontos relacionados à aprovação do Projeto de Lei Complementar nº 10/2025, que transfere para a Prefeitura a gestão da unidade hospitalar.

O projeto foi aprovado em segunda votação na Câmara de Vereadores também nesta quinta-feira, por 5 votos a 4, confirmando o placar já registrado na primeira votação. Com a nova legislação, o Poder Executivo passa a indicar diretamente a direção do hospital, e o atual Conselho Diretor será destituído.

Durante a coletiva, representantes das entidades que compõem o conselho e membros da direção expuseram suas posições.


Presidente do Conselho Diretor – Gilberto Scussiato

O presidente do Conselho Diretor, Gilberto Scussiato, enfatizou que todos os conselheiros atuam de forma voluntária e representam entidades do município, sem vínculo partidário institucional.

Ele reforçou que o modelo atual de gestão é comunitário e que os conselheiros respondem legalmente por suas decisões. Segundo ele, o conselho sempre atuou com responsabilidade fiscal e técnica.

Scussiato destacou que:

  • O conselho é composto por representantes de entidades como ACIRCAN, OAB, CDL, Rede Feminina, Conselho Municipal de Saúde, Legislativo e Executivo;

  • O modelo atual é considerado, segundo ele, um “case positivo” de gestão hospitalar;

  • O conselho responde solidariamente, inclusive com responsabilidade pessoal (CPF), pelas decisões administrativas;

  • A entidade participou da captação de aproximadamente R$ 23 milhões para projetos estruturais, incluindo ampliação e melhorias físicas.

Sobre possíveis medidas judiciais, afirmou que o grupo irá se reunir para avaliar os próximos passos, mas garantiu que não haverá qualquer atitude que prejudique o hospital ou a comunidade.


Diretor Clínico – Leonardo Falcão

O diretor clínico e representante do corpo médico, Leonardo Falcão, relatou que atua há mais de 23 anos no hospital e afirmou que o modelo atual trouxe avanços assistenciais significativos.

Entre os pontos destacados:

  • Implantação e consolidação da UTI;

  • Plantão 24 horas na maternidade;

  • Três médicos atuando simultaneamente na emergência;

  • Ampliação de especialidades com sobreaviso em clínica médica, cirurgia, ortopedia, cardiologia, nefrologia e neurologia;

  • Crescimento na qualidade do atendimento e estrutura física.

Falcão demonstrou preocupação com a transição administrativa, especialmente quanto à estabilidade contratual dos profissionais e à possibilidade de interferências políticas futuras.

Segundo ele, o hospital deixou de ser apenas municipal e hoje presta serviços regionais, atendendo municípios da AMPLASC e contando com apoio do Governo do Estado.


Diretor do Hospital – Rafael Manfredi

O diretor do hospital, Rafael Manfredi, afirmou que a coletiva teve como objetivo esclarecer informações que, segundo ele, estariam sendo distorcidas no debate público.

Ele ressaltou que:

  • O conselho não possui fins políticos nem partidários;

  • Desde 2024, a gestão passou a ser integralmente exercida pelo conselho;

  • A arrecadação própria da instituição evoluiu de R$ 10 milhões (2021) para R$ 28 milhões (2025);

  • O número de atendimentos passou de 42 mil para 74 mil por ano;

  • Está em andamento um projeto de ampliação de R$ 23 milhões, com primeira etapa já pré-aprovada;

  • A tomografia adquirida deve chegar ao hospital na primeira semana de março;

  • Houve investimentos em centro de imagem, estrutura física e novos equipamentos.

Manfredi criticou o que classificou como “discurso político” sobre a situação financeira da instituição e afirmou que o hospital mantém reservas para execução de projetos de médio e longo prazo.

Ele também questionou pontos do novo texto legal, especialmente a formação futura do conselho com número par de cadeiras, o que, segundo ele, comprometeria a autonomia decisória.

Apesar das críticas, garantiu que, caso a transição ocorra, será feita com transparência e sem prejuízo aos serviços.


Representante do Conselho Curador / CDL – Jorge Ney Baldissera

O contador Jorge Ney Baldissera, representante da CDL no Conselho Curador, destacou que a proposta original do modelo comunitário surgiu com a premissa de afastar interferências políticas da gestão hospitalar.

Segundo ele:

  • O Conselho Diretor atua no dia a dia;

  • O Conselho Curador acompanha e fiscaliza aspectos financeiros;

  • O objetivo sempre foi apoiar a direção e não confrontar o Executivo;

  • A gestão comunitária poderia se tornar referência nacional.

Baldissera manifestou preocupação de que, com a mudança, a direção fique concentrada exclusivamente em indicações do Executivo, reduzindo o papel consultivo da comunidade.


Entidades Representadas

Também compõem o colegiado representantes da:

  • ACIRCAN – Anderson Boing

  • OAB – Gabriela Schaly

  • Legislativo – Ana Carla Wolf Lopes

  • Executivo – Suzana Zen

  • Rede Feminina – Rozangela Rech

  • Conselho Municipal de Saúde – Gilberto Scussiato

  • AMPLASC – Juliana Aisi Breger Cenci

  • NUCON – Fernando Semin

O grupo reforçou que todas as indicações são feitas pelas próprias entidades e que o modelo atual foi estruturado para garantir autonomia técnica.


O que muda com a nova lei

Com a aprovação definitiva do PLC nº 10/2025:

  • A gestão passa oficialmente para o Poder Executivo;

  • O atual Conselho Diretor será destituído;

  • Os cargos de diretor-geral e diretor técnico são extintos;

  • Cria-se o cargo de diretor-adjunto;

  • A direção passa a ser de indicação direta do prefeito.

A votação foi definida por maioria simples, com cinco votos favoráveis e quatro contrários nas duas sessões.


Próximos passos

O conselho informou que irá avaliar juridicamente a constitucionalidade da proposta, mas reforçou que não tomará medidas que prejudiquem o funcionamento da unidade.

Enquanto isso, a gestão do hospital entra em fase de transição administrativa, em um momento considerado decisivo para o futuro do principal equipamento de saúde da região.

 

FONTE/CRÉDITOS: Web Rádio Cidade
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