Na manhã desta quinta-feira (12), a direção e o Conselho Diretor do Hospital Dr. José Athanázio convocaram a imprensa de Campos Novos para esclarecer pontos relacionados à aprovação do Projeto de Lei Complementar nº 10/2025, que transfere para a Prefeitura a gestão da unidade hospitalar.
O projeto foi aprovado em segunda votação na Câmara de Vereadores também nesta quinta-feira, por 5 votos a 4, confirmando o placar já registrado na primeira votação. Com a nova legislação, o Poder Executivo passa a indicar diretamente a direção do hospital, e o atual Conselho Diretor será destituído.
Durante a coletiva, representantes das entidades que compõem o conselho e membros da direção expuseram suas posições.
Presidente do Conselho Diretor – Gilberto Scussiato
O presidente do Conselho Diretor, Gilberto Scussiato, enfatizou que todos os conselheiros atuam de forma voluntária e representam entidades do município, sem vínculo partidário institucional.
Ele reforçou que o modelo atual de gestão é comunitário e que os conselheiros respondem legalmente por suas decisões. Segundo ele, o conselho sempre atuou com responsabilidade fiscal e técnica.
Scussiato destacou que:
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O conselho é composto por representantes de entidades como ACIRCAN, OAB, CDL, Rede Feminina, Conselho Municipal de Saúde, Legislativo e Executivo;
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O modelo atual é considerado, segundo ele, um “case positivo” de gestão hospitalar;
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O conselho responde solidariamente, inclusive com responsabilidade pessoal (CPF), pelas decisões administrativas;
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A entidade participou da captação de aproximadamente R$ 23 milhões para projetos estruturais, incluindo ampliação e melhorias físicas.
Sobre possíveis medidas judiciais, afirmou que o grupo irá se reunir para avaliar os próximos passos, mas garantiu que não haverá qualquer atitude que prejudique o hospital ou a comunidade.
Diretor Clínico – Leonardo Falcão
O diretor clínico e representante do corpo médico, Leonardo Falcão, relatou que atua há mais de 23 anos no hospital e afirmou que o modelo atual trouxe avanços assistenciais significativos.
Entre os pontos destacados:
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Implantação e consolidação da UTI;
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Plantão 24 horas na maternidade;
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Três médicos atuando simultaneamente na emergência;
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Ampliação de especialidades com sobreaviso em clínica médica, cirurgia, ortopedia, cardiologia, nefrologia e neurologia;
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Crescimento na qualidade do atendimento e estrutura física.
Falcão demonstrou preocupação com a transição administrativa, especialmente quanto à estabilidade contratual dos profissionais e à possibilidade de interferências políticas futuras.
Segundo ele, o hospital deixou de ser apenas municipal e hoje presta serviços regionais, atendendo municípios da AMPLASC e contando com apoio do Governo do Estado.
Diretor do Hospital – Rafael Manfredi
O diretor do hospital, Rafael Manfredi, afirmou que a coletiva teve como objetivo esclarecer informações que, segundo ele, estariam sendo distorcidas no debate público.
Ele ressaltou que:
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O conselho não possui fins políticos nem partidários;
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Desde 2024, a gestão passou a ser integralmente exercida pelo conselho;
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A arrecadação própria da instituição evoluiu de R$ 10 milhões (2021) para R$ 28 milhões (2025);
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O número de atendimentos passou de 42 mil para 74 mil por ano;
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Está em andamento um projeto de ampliação de R$ 23 milhões, com primeira etapa já pré-aprovada;
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A tomografia adquirida deve chegar ao hospital na primeira semana de março;
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Houve investimentos em centro de imagem, estrutura física e novos equipamentos.
Manfredi criticou o que classificou como “discurso político” sobre a situação financeira da instituição e afirmou que o hospital mantém reservas para execução de projetos de médio e longo prazo.
Ele também questionou pontos do novo texto legal, especialmente a formação futura do conselho com número par de cadeiras, o que, segundo ele, comprometeria a autonomia decisória.
Apesar das críticas, garantiu que, caso a transição ocorra, será feita com transparência e sem prejuízo aos serviços.
Representante do Conselho Curador / CDL – Jorge Ney Baldissera
O contador Jorge Ney Baldissera, representante da CDL no Conselho Curador, destacou que a proposta original do modelo comunitário surgiu com a premissa de afastar interferências políticas da gestão hospitalar.
Segundo ele:
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O Conselho Diretor atua no dia a dia;
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O Conselho Curador acompanha e fiscaliza aspectos financeiros;
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O objetivo sempre foi apoiar a direção e não confrontar o Executivo;
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A gestão comunitária poderia se tornar referência nacional.
Baldissera manifestou preocupação de que, com a mudança, a direção fique concentrada exclusivamente em indicações do Executivo, reduzindo o papel consultivo da comunidade.
Entidades Representadas
Também compõem o colegiado representantes da:
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ACIRCAN – Anderson Boing
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OAB – Gabriela Schaly
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Legislativo – Ana Carla Wolf Lopes
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Executivo – Suzana Zen
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Rede Feminina – Rozangela Rech
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Conselho Municipal de Saúde – Gilberto Scussiato
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AMPLASC – Juliana Aisi Breger Cenci
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NUCON – Fernando Semin
O grupo reforçou que todas as indicações são feitas pelas próprias entidades e que o modelo atual foi estruturado para garantir autonomia técnica.
O que muda com a nova lei
Com a aprovação definitiva do PLC nº 10/2025:
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A gestão passa oficialmente para o Poder Executivo;
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O atual Conselho Diretor será destituído;
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Os cargos de diretor-geral e diretor técnico são extintos;
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Cria-se o cargo de diretor-adjunto;
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A direção passa a ser de indicação direta do prefeito.
A votação foi definida por maioria simples, com cinco votos favoráveis e quatro contrários nas duas sessões.
Próximos passos
O conselho informou que irá avaliar juridicamente a constitucionalidade da proposta, mas reforçou que não tomará medidas que prejudiquem o funcionamento da unidade.
Enquanto isso, a gestão do hospital entra em fase de transição administrativa, em um momento considerado decisivo para o futuro do principal equipamento de saúde da região.
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