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Segunda-feira, 09 de Fevereiro de 2026

Agronegócio

Plataforma da Epagri disponibiliza favorabilidade térmica para ocorrência de pragas do milho em SC

Ferramenta auxilia produtores no monitoramento climático e no manejo preventivo das principais pragas da cultura no Estado.

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Plataforma da Epagri disponibiliza favorabilidade térmica para ocorrência de pragas do milho em SC
ASCOM - Epagri
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O milho é base da produção animal em Santa Catarina. O que não é pouca coisa, já que no ano passado o Estado se firmou como o maior exportador de suínos do país e permaneceu na segunda colocação quando se trata de comercialização de aves para o exterior. Em 2025 o Estado produziu 910,5 milhões de aves e 18,3 milhões de cabeças de suínos.

Para alimentar esse plantel, que inclui ainda gado de corte e de leite, Santa Catarina demandou 8 milhões de toneladas de milho em 2025. Desse total, cerca de 2,7 milhões de toneladas foram produzidas no território catarinense durante a safra 2024/25, o restante veio de outros Estados ou países.

SC produziu 2,7 milhões de toneladas de milho grão na safra 2024/25 (Fotos: Aires Mariga / Epagri)

Para dar apoio a essa cadeia produtiva tão importante, pesquisadores da Epagri/Ciram disponibilizaram na plataforma Agroconnect a favorabilidade térmica para ocorrência de duas pragas: cigarrinha-do-milho e lagarta-do-cartucho do milho.

O produto é mais uma entrega do projeto Miríades, desenvolvido com verba própria da Epagri. Hamilton Justino Vieira, pesquisador e participante do projeto, explica que o objetivo é apresentar estimativas do número de gerações de insetos-praga que podem ocorrer em Santa Catarina, em função da temperatura horária do ar medida pela rede de estações meteorológicas gerenciada pela Epagri/Ciram. São mais de 300 equipamentos espalhados pelo Estado que medem a temperatura do ar e outras variáveis ambientais e as enviam ao banco de dados da Epagri/Ciram a cada hora. Tudo é feito de forma automática, sem intervenção humana.

Assim, ao navegar na plataforma Agroconnect, técnicos e agricultores poderão ver, no mapa de Santa Catarina, a distribuição espacial do número de gerações de cigarrinha-do-milho e de lagarta-do-cartucho do milho, bem como a evolução destas gerações durante a ciclo produtivo da planta. Também é possível comparar os dados com a safra anterior. Tudo está disponível para livre acesso, sem necessidade de cadastro.

Quanto mais quente, mais insetos

Quanto maior o calor, mais gerações de insetos se formarão. Isso porque os insetos têm massa corpórea reduzida, então seu desenvolvimento é muito impactado pelas variações de temperatura ambiente.

Desta forma, ao navegar no mapa do Agroconnect, é possível perceber que regiões mais frias de Santa Catarina, como o Planalto Sul, apresentam menor favorabilidade para formação de múltiplas gerações das pragas. O mesmo acontece em épocas mais frias por todo o Estado. De posse dessas informações, agricultores e técnicos podem se planejar quanto à implantação de novas lavouras e também quanto à melhor data para plantar, dentro do intervalo de tempo estabelecido pelo zoneamento agroclimático.

Sobre a cigarrinha-do-milho

A cigarrinha-do-milho é uma das principais pragas da cultura em Santa Catarina. Ela é vetor de quatro patógenos dos enfezamentos, que têm capacidade de comprometer substancialmente a produção do grão. Estatística apontam que casos severos de enfezamentos podem acarretar perdas superiores a 70% em lavouras não manejadas.

A praga está presente em todas as regiões catarinenses onde se produz milho, especialmente no Meio-Oeste e Extremo Oeste. O cultivo sucessivo da planta na safra e na safrinha e a presença do milho tiguera, ou voluntário, intensificou a presença da cigarrinha nas lavouras catarinenses nos últimos anos.

Cigarrinha é vetor de quatro patógenos dos enfezamentos

Para acompanhar a situação, foi criado no começo de 2021 o programa Monitora Milho SC, uma iniciativa do Comitê de Ação contra Cigarrinha-do-milho e Patógenos Associados, composto pela Epagri, Udesc, Cidasc, Ocesc, Fetaesc, Faesc, CropLife Brasil e Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária.

O programa consiste na instalação de armadilhas para captura de cigarrinhas em cerca de 50 lavouras espalhadas pelo Estado. Os insetos capturados são analisados em um laboratório da Epagri/Cepaf, em Chapecó. A partir daí, a Epagri emite durante o período de safra boletins semanais que informam a média de cigarrinhas capturadas e os patógenos dos enfezamentos identificados nelas.

O Programa Monitora Milho SC se destaca como uma das principais iniciativas científicas da Epagri, conquistando reconhecimento em diversos eventos nacionais e internacionais. Sua metodologia tem servido de referência para ações similares em outros estados brasileiros e até no exterior.

Sobre a lagarta-do-cartucho do milho

O milho é o principal hospedeiro da lagarta-do-cartucho, mas a praga pode atacar também o arroz, cultura em que Santa Catarina é vice-campeã nacional de produção e campeã de produtividade. O inseto pode ser encontrado ainda em lavouras de sorgo, trigo, cevada, aveia, cana-de-açúcar, algodão, soja, feijão, amendoim e girassol. Além disso, pode atacar hortaliças e frutíferas, como tomate, batata, alface, pimentão, cebola, citros, entre outras.

Lavouras de arroz podem sofrer ataques da lagarta-do-cartucho

É considerada uma praga invasora global devido à sua capacidade migratória e adaptação a diferentes climas. No Brasil, ela é especialmente importante no milho, mas também causa perdas em arroz irrigado, soja e algodão. Na cultura do milho, o ataque da lagarta ocorre em todos os estádios de crescimento da planta. No início do desenvolvimento raspam as folhas e quando se tornam mais ativas perfuram-nas, causando grandes perdas no rendimento da cultura.

Sobre o projeto Miríades

A pesquisadora Iria Sartor Araújo, líder do projeto Miríades, revela que já foi calculada a favorabilidade térmica para ocorrência de seis insetos em Santa Catarina, incluindo o mosquito da dengue, todas disponibilizadas no Agroconnect. Ela adianta que a intenção é fazer o cálculo para cerca de 20 pragas, inclusive algumas que ainda não foram identificadas no território catarinense, mas que podem chegar ao Estado.

Para calcular a favorabilidade térmica para ocorrência de pragas, os pesquisadores da Epagri/Ciram se valem de estudos anteriores, onde os insetos são criados em laboratório, submetidos a diferentes níveis de temperatura. Esses níveis são então relacionados com a duração de cada ciclo de vida do animal. Hamilton explica que esses resultados são publicados pelos autores e o estudo se encerra aí.

Com base nesses dados tornados públicos, a equipe da Epagri/Ciram elabora, para cada inseto, uma equação, chamada de modelo matemático, que permite ao computador relacionar o ciclo de vida do animal com as temperaturas horárias medidas por cada uma das estações meteorológicas espalhadas pelo Estado. O passo final é a publicação automática desses dados no Agroconnect, fornecendo a agricultores e técnicos catarinenses uma informação dinâmica, que nenhum outro Estado do Brasil dispõe.

Além de Iria e Hamilton, o projeto Miríades é desenvolvido pelos profissionais Joelma Miszinski, Carlos Eduardo Salles de Araújo, Everton Blainski e Moisés Pollak Junior, todos da Epagri.

FONTE/CRÉDITOS: ASCOM - Epagri
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