O deputado federal Pedro Uczai (PT/SC) alertou para a gravidade da "epidemia das bets" no país após dados do Ministério da Saúde revelarem que o vício em jogos online já se tornou a quarta maior dependência do Brasil. Segundo os indicadores apresentados pela coordenadora de Atenção Psicossocial da pasta, Gabriella Boska, o índice de transtorno do jogo atinge 4,4% da população brasileira, superando a dependência de substâncias como o crack e a cocaína.
Os dados foram expostos durante audiência pública na Comissão do Esporte da Câmara dos Deputados da última quarta-feira (8).
De acordo com o Ministério da Saúde, o vício em apostas perde em prevalência no Brasil apenas para o álcool, o tabaco e a cannabis. A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica o problema como uma "dependência sem substância", quando o diagnóstico de transtorno mental não exige o uso de entorpecentes. Nos casos mais graves, a condição é denominada clinicamente como Ludopatia. Enquanto a média global do transtorno varia entre 1,2% e 9,9%, o Brasil já desponta com uma das taxas mais preocupantes.
A apresentação da coordenadora evidenciou que o vício não surge isolado: em 75% dos casos relatados, o transtorno vem acompanhado de diagnósticos psiquiátricos como depressão, ansiedade e abuso de substâncias. O impacto mais alarmante está na taxa de letalidade, que pode ser até 15 vezes maior do que a média geral para casos de suicídio.
O problema também aparece para quem não joga. De acordo com a coordenadora, estima-se que, para cada apostador em alto risco, pelo menos outras seis pessoas ao seu redor (como familiares e dependentes) sejam diretamente afetadas pelo impacto financeiro e emocional.
Ainda segundo o Ministério, apenas no ano passado, cerca de 25 milhões de pessoas apostaram em plataformas online no Brasil. O perfil predominante concentra-se em homens de baixa renda, na população negra, em moradores de regiões metropolitanas e na região Nordeste.
Embora a prática seja proibida para menores de idade, os algoritmos e a forte publicidade têm atraído o público jovem, com um a cada dez adolescentes brasileiros já acessando e consumindo plataformas de apostas.
Para Pedro Uczai, os dados comprovam que o mercado das bets opera por meio de algoritmos desenhados especificamente para induzir à perda de dinheiro e ao vício.
Diante da gravidade da situação, a Bancada do Partido dos Trabalhadores (PT) já apresentou um projeto de lei voltado a proibir a atuação dessas plataformas no país.
"Estamos diante de uma verdadeira máquina de destruir a renda e a saúde mental do povo brasileiro. Os dados do Ministério da Saúde são assustadores e mostram que o jogo não é um entretenimento inofensivo, mas uma epidemia que destrói famílias, empobrece os mais vulneráveis e joga nossos jovens no isolamento e na depressão. Não podemos assistir a essa tragédia social de braços cruzados e fingir que é apenas uma escolha individual. É papel do Estado intervir, e a nossa bancada vai lutar até o fim para barrar as bets e proteger o Brasil", afirmou Uczai.
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