A discussão sobre a implantação de um aeroporto em Campos Novos voltou à pauta da Câmara de Vereadores na sessão legislativa desta terça-feira (03). O tema foi levantado pelo vereador Evandro Galiotto, que protocolou um requerimento solicitando informações detalhadas sobre a venda de um terreno ocorrida em 2005, cuja finalidade seria viabilizar a construção de um aeródromo no município.
Segundo o parlamentar, a Lei nº 2.956, sancionada em 27 de junho de 2005, autorizou a venda de uma área de 585 mil metros quadrados equivalente a 58,5 hectares ao valor de R$ 11 mil por hectare, totalizando R$ 643,5 mil à época. O projeto previa que parte do recurso, correspondente a 150 mil metros quadrados (15 hectares), fosse reservada para aquisição de um novo terreno destinado à construção do aeroporto.
“Se foi vendido o terreno e houve a reserva de valor para comprar outro espaço, onde esse dinheiro foi aplicado? Em que data? Qual o montante atualizado hoje?”, questionou Galiotto em plenário.
O vereador afirmou que, até onde apurou, não houve a compra de outro terreno para a finalidade prevista. Ele também criticou a decisão tomada na época, quando o projeto, encaminhado pelo então prefeito Nelson Cruz, foi aprovado pelo Legislativo.
Para Galiotto, a venda representou uma perda estratégica para o desenvolvimento local. “Não venderam só o terreno, venderam o progresso de Campos Novos”, declarou. Ele argumenta que, caso o aeroporto tivesse sido implantado, o município poderia ter ampliado sua capacidade de atrair investimentos e empresas, além de fortalecer sua posição logística na região.
O parlamentar também citou que, atualmente, o valor da terra naquela região estaria em torno de R$ 200 mil por hectare, o que elevaria o patrimônio a aproximadamente R$ 12 milhões. Em sua análise, mesmo que os recursos da venda tivessem sido aplicados financeiramente, o retorno seria inferior ao potencial de valorização do imóvel ou à possibilidade de arrendamento ao longo dos anos.
Durante o debate, o vereador Robson Molon apresentou um contraponto. Ele informou que esteve em Florianópolis em busca de esclarecimentos junto a órgãos competentes sobre a viabilidade da antiga área destinada ao aeroporto.
De acordo com Molon, técnicos apontaram que o terreno anteriormente planejado seria inviável para a construção de um aeroporto nas condições atuais. “Hoje aquele terreno não teria nem um terço do tamanho necessário. A questão de terraplanagem também demandaria valores exorbitantes”, afirmou.
O vereador acrescentou que deve solicitar oficialmente o envio do estudo técnico à Câmara para dar transparência ao tema. Conforme as informações recebidas, para a implantação de um aeroporto seriam necessários cerca de 1,5 milhão de metros quadrados área significativamente superior àquela prevista no projeto original.
O assunto ganhou novos contornos após menções recentes feitas pelo prefeito durante evento no município, quando solicitou apoio do Governo do Estado para viabilizar uma área destinada ao aeroporto. Segundo relato de Galiotto, o governador teria sugerido a desapropriação de um terreno como alternativa.
Para os parlamentares, o debate reacende uma decisão tomada há duas décadas e levanta questionamentos sobre planejamento de longo prazo. Enquanto parte dos vereadores defende que o município perdeu uma oportunidade estratégica, outros sustentam que, mesmo que o terreno tivesse sido mantido, ele não atenderia às exigências técnicas atuais.
A discussão deve continuar nas próximas sessões, especialmente após o envio das informações solicitadas pelo requerimento e do estudo técnico mencionado em plenário.
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